Contêineres do esquecimento?
Uma reflexão crítica sobre os repositórios dos museus etnográficos e sua (difícil) descolonização
DOI:
https://doi.org/10.48162/rev.45.049Palavras-chave:
Repositórios, museus, memória, descolonizaçãoResumo
É inegável que, nas últimas décadas, muitos museus etnográficos se comprometeram a modificar muitas de suas práticas e implementaram diversas iniciativas com o objetivo de tornar esses espaços mais inclusivos, participativos e, sobretudo, polifônicos. Embora a ideia do museu como templo do conhecimento e como espaço inacessível aos não iniciados tenha se tornado um paradigma marginal, não é menos verdade que, em um bom número dessas instituições, ainda existe um enclave (quase) sagrado que escapa a essas novas lógicas de abertura e integração. Referimo-nos às áreas de armazenamento onde as coleções são preservadas. Neste artigo, abordamos a natureza particular desses espaços, caracterizados pelo controle físico e simbólico das coleções. A análise de sua gestão e organização nos permitirá destacar como uma visão profundamente tradicional do patrimônio é perpetuada e reforçada neles. Ao mesmo tempo, demonstraremos como, apesar de serem lugares de memória, muitas vezes se tornam espaços que a confinam e neutralizam. Por fim, concluiremos com uma reflexão sobre possíveis caminhos a seguir para evitar que essas questões se tornem obstáculos ao avanço dos processos de descolonização.
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