Psicoacústica e Cinema
A Desestabilização Perceptiva em Apocalypse Now, Psicose e Dunkirk
DOI:
https://doi.org/10.48162/rev.45.054Palavras-chave:
Psicoacústica, Design sonoro, Apocalypse Now, DunkirkResumo
Este artigo integra a psicoacústica como ferramenta analítica para iluminar retroativamente as operações sonoras de Apocalypse Now (Coppola, 1979). Comparando-o com Dunkirk (Nolan, 2017) e, inauguralmente, com Psicose (Hitchcock, 1960), demonstra que a tradição do contraponto crítico encontrou, em cada época, uma materialidade técnica distinta para produzir a desestabilização do espectador: substituição em Hitchcock/Herrmann, desorganização espacial em Murch, suspensão temporal em Zimmer. A Escala de Shepard, a máscara auditiva e a ilusão de continuidade são mobilizadas para mostrar como esses três cineastas operam, em regimes perceptivos diferentes, uma mesma estratégia de contraponto crítico. A contribuição reside na articulação entre fenomenologia chioniana, psicoacústica e Sound Studies, revelando a persistência, transformação e ambiguidade política da tradição do contraponto crítico no cinema sonoro moderno.
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